Introdução
Identificar o problema é apenas o começo
Toda organização está sujeita a falhas. Um produto pode apresentar dimensões fora da especificação, um procedimento pode deixar de ser cumprido, um equipamento pode operar em condições inadequadas ou uma auditoria pode identificar evidências de que determinado processo não atende aos requisitos estabelecidos.
Quando isso acontece, surge uma pergunta fundamental para a Gestão da Qualidade: como tratar uma não conformidade de maneira que o problema seja resolvido e não volte a acontecer?
A resposta exige muito mais do que corrigir o defeito encontrado. É necessário compreender o que aconteceu, controlar seus efeitos, investigar as causas, estabelecer ações proporcionais ao risco e verificar se as medidas adotadas realmente funcionaram.
Na prática, muitas empresas conseguem corrigir um problema imediato, mas encontram dificuldades para eliminar sua origem. Um operador identifica um produto fora da especificação, o material é segregado e a produção continua. Entretanto, se a causa não for investigada, o mesmo defeito poderá aparecer novamente no próximo lote, turno ou ciclo produtivo.
É nesse ponto que o tratamento de não conformidades deixa de ser uma atividade meramente documental e passa a ser um instrumento estratégico de prevenção, confiabilidade e melhoria contínua.
Neste artigo, você aprenderá como tratar uma não conformidade desde a identificação até a verificação da eficácia da ação corretiva, com exemplos industriais, ferramentas da qualidade e orientações para aplicar o método no dia a dia.
1. O que é uma não conformidade?
Uma não conformidade é o não atendimento a um requisito.
Esse requisito pode estar relacionado a:
- Especificações técnicas de produtos.
- Procedimentos e instruções de trabalho.
- Requisitos legais e regulamentares aplicáveis.
- Contratos e requisitos específicos dos clientes.
- Normas técnicas e sistemas de gestão.
- Critérios de inspeção e planos de controle.
- Requisitos internos estabelecidos pela organização.
Por exemplo, se uma embalagem plástica possui espessura nominal de 45 micra e o critério de aceitação aplicável exige que a medição esteja dentro de uma faixa definida, uma medição confirmada fora dessa faixa pode caracterizar uma não conformidade do produto.
Da mesma forma, se um procedimento determina que uma inspeção seja registrada e a organização não consegue demonstrar que ela foi realizada, pode existir uma não conformidade relacionada ao processo ou ao sistema de gestão.
O ponto essencial é que a não conformidade deve ser demonstrada por meio de um requisito identificável e de uma evidência objetiva.
Não conformidade, defeito e desvio: qual é a diferença?
Embora os termos estejam relacionados, eles não são necessariamente sinônimos.
Não conformidade: representa o descumprimento de um requisito.
Defeito: é uma condição relacionada ao produto ou serviço que afeta sua capacidade de atender ao uso pretendido ou a requisitos aplicáveis. Em determinados contextos, o termo possui implicações técnicas, contratuais ou legais específicas.
Desvio: é um termo frequentemente utilizado nas empresas para descrever um afastamento de uma condição, parâmetro ou prática estabelecida. Dependendo do contexto, pode indicar uma não conformidade ou uma ocorrência que ainda precisa ser avaliada.
Considere três situações:
- Uma embalagem apresenta uma solda aberta: possível não conformidade do produto.
- Um operador executa uma atividade em desacordo com a instrução de trabalho: possível não conformidade do processo.
- A temperatura de uma máquina ultrapassa um limite de controle: desvio que exige avaliação, contenção e investigação conforme os critérios aplicáveis.
Em todos os casos, a organização precisa avaliar as evidências e determinar as providências necessárias.
2. Qual é a diferença entre correção e ação corretiva?
Essa distinção é indispensável para quem trabalha com Gestão da Qualidade.
A correção trata a não conformidade identificada. A ação corretiva busca eliminar a causa da não conformidade para evitar sua recorrência.
Veja a diferença:
| Situação | Exemplo prático |
|---|---|
| Correção | Segregar um lote de embalagens fora da especificação. |
| Disposição do produto | Decidir, conforme autoridade e requisitos aplicáveis, se o lote será retrabalhado, reclassificado, rejeitado ou tratado de outra forma permitida. |
| Ação corretiva | Eliminar a causa comprovada que levou o processo a produzir embalagens fora da especificação. |
| Verificação da eficácia | Confirmar, por meio de evidências, que a causa foi tratada e que o problema não voltou a ocorrer nas condições avaliadas. |
Uma empresa pode corrigir cem embalagens defeituosas sem eliminar a causa que produziu essas embalagens.
Se a regulagem inadequada de uma máquina continuar, por exemplo, novos lotes poderão apresentar o mesmo problema.
A correção resolve a ocorrência identificada. A ação corretiva atua sobre a causa para impedir a repetição.
Isso não significa que toda ocorrência precise de uma investigação complexa. A profundidade da análise deve considerar o risco, a gravidade, a frequência, a abrangência e os requisitos aplicáveis. Uma falha simples e isolada pode exigir uma abordagem proporcional, enquanto um problema recorrente ou crítico demanda investigação mais aprofundada.
3. O que a ISO 9001 estabelece sobre o tratamento de não conformidades?
A ISO 9001:2015 aborda o tratamento de não conformidades e ações corretivas no requisito 10.2.
Em termos práticos, a organização deve reagir à não conformidade, controlar e corrigir a situação quando aplicável, lidar com suas consequências, avaliar a necessidade de eliminar as causas, implementar as ações necessárias e analisar a eficácia dessas ações.
Também é necessário considerar se não conformidades semelhantes existem ou poderiam ocorrer em outros processos ou locais da organização.
As ações devem ser proporcionais aos efeitos da não conformidade encontrada.
A norma também prevê a manutenção de informação documentada como evidência da natureza das não conformidades, das ações tomadas e dos resultados das ações corretivas, conforme aplicável.
Isso significa que o tratamento não deve terminar simplesmente porque alguém preencheu um formulário ou informou que o problema foi resolvido.
É necessário demonstrar o que aconteceu, o que foi feito, por que a ação foi escolhida e quais evidências sustentam a conclusão de eficácia.
Importante: a ISO 9001 não determina um único formulário obrigatório nem exige a utilização de uma ferramenta específica, como os 5 Porquês ou o diagrama de Ishikawa, em todos os casos. A organização deve definir um método adequado ao seu contexto, aos riscos e aos requisitos aplicáveis.
4. Como tratar uma não conformidade: passo a passo
O processo pode ser organizado em oito etapas principais.
Passo 1 — Identificar a não conformidade e registrar as evidências
O primeiro passo é reconhecer a condição que não atende ao requisito estabelecido.
A identificação pode ocorrer durante:
- Inspeções de recebimento.
- Inspeções em processo.
- Inspeções finais.
- Auditorias internas ou externas.
- Reclamações de clientes.
- Análises de indicadores.
- Manutenção de equipamentos.
- Monitoramento de parâmetros.
- Avaliações de fornecedores.
- Verificações de documentos e registros.
Após identificar o problema, registre os fatos de forma objetiva.
Um bom registro deve responder às seguintes perguntas:
- O que aconteceu?
- Onde aconteceu?
- Quando foi identificado?
- Qual requisito não foi atendido?
- Qual evidência demonstra o problema?
- Qual produto, lote, máquina, processo ou documento está envolvido?
- Quem identificou a ocorrência?
Evite registros vagos, como “máquina desregulada”, “operador errou” ou “produto ruim”.
Essas descrições não explicam adequadamente a condição encontrada e podem induzir a uma conclusão prematura sobre a causa.
Exemplo inadequado:
“Filme fora do padrão.”
Exemplo adequado:
“Durante a inspeção em processo da linha de extrusão, às 10h20, foram identificados resultados de espessura fora dos limites de aceitação estabelecidos na especificação do produto. O lote e o intervalo de produção potencialmente afetados foram identificados para avaliação.”
O segundo registro descreve a ocorrência, indica o requisito envolvido e permite iniciar a investigação.
A medição, a especificação, o equipamento utilizado e os registros de rastreabilidade devem ser anexados quando pertinentes.
Passo 2 — Conter o problema e controlar seus efeitos
Após identificar a não conformidade, a prioridade é impedir que seus efeitos se ampliem.
Essa etapa é conhecida como contenção.
As medidas dependem da natureza do problema e podem incluir:
- Interromper temporariamente o processo, quando necessário.
- Segregar produtos suspeitos ou não conformes.
- Identificar fisicamente o material bloqueado.
- Suspender a expedição de lotes potencialmente afetados.
- Comunicar a liderança e as áreas envolvidas.
- Avaliar produtos em estoque e em processo.
- Verificar materiais já enviados ao cliente.
- Estabelecer inspeção adicional temporária.
- Acionar procedimentos de emergência ou escalonamento, quando aplicáveis.
A contenção não substitui a análise de causa. Ela reduz o risco enquanto a investigação acontece.
Imagine que um lote de embalagens tenha apresentado falhas de soldagem. Se o material permanecer disponível para uso ou expedição sem avaliação, a empresa poderá ampliar o impacto da ocorrência.
A segregação e o bloqueio dos lotes suspeitos ajudam a evitar que o problema avance.
Entretanto, é necessário definir o alcance da contenção com base em evidências. A avaliação deve considerar desde a última verificação comprovadamente satisfatória, quando pertinente, até o momento da detecção, sem presumir que apenas a peça ou amostra reprovada esteja afetada.
Se houver risco para o cliente, para a segurança ou para o cumprimento de obrigações legais, a organização deve seguir os procedimentos de comunicação e resposta aplicáveis.
Boa prática: registre quem executou a contenção, quando ela ocorreu, quais materiais foram envolvidos e como foi confirmada a eficácia do bloqueio.
Passo 3 — Avaliar a extensão e a gravidade da ocorrência
Nem toda não conformidade possui o mesmo impacto.
Uma falha documental de baixo risco exige tratamento diferente de uma falha que comprometa a segurança, a integridade do produto ou o atendimento a requisitos legais.
A avaliação deve considerar fatores como:
- Gravidade das consequências.
- Quantidade de produtos potencialmente afetados.
- Possibilidade de atingir o cliente.
- Frequência e recorrência.
- Capacidade de detecção antes da entrega.
- Impacto sobre outros processos.
- Requisitos contratuais e regulamentares.
- Custos de retrabalho, sucata, devolução e reclamação.
Uma ferramenta útil para organizar essa avaliação é uma matriz de risco definida pela própria organização.
Por exemplo, a empresa pode classificar as ocorrências em níveis baixo, médio, alto e crítico, estabelecendo critérios claros para cada nível.
Uma não conformidade de baixo risco pode ser tratada com correção e uma análise simplificada, quando justificável. Uma ocorrência crítica pode exigir bloqueio imediato, participação da liderança, investigação multidisciplinar e comunicação formal.
Não existe uma classificação universal que sirva automaticamente para todas as organizações. Os critérios precisam refletir o processo, o produto e os riscos envolvidos.
Também é importante verificar se o problema já ocorreu anteriormente. Uma falha aparentemente pequena pode exigir investigação mais profunda quando apresenta alta frequência ou indica uma deficiência sistêmica.
Passo 4 — Investigar a causa raiz
Esta é uma das etapas mais importantes de todo o processo.
O objetivo não é encontrar alguém para responsabilizar, mas compreender quais condições permitiram que a não conformidade acontecesse.
A causa raiz é a causa fundamental identificada por uma investigação sustentada por evidências, cuja eliminação ou controle evita ou reduz a possibilidade de recorrência.
Não basta afirmar que “faltou atenção”, “o operador errou” ou “a máquina apresentou problema”. Essas afirmações podem descrever uma manifestação ou um fator contribuinte, mas frequentemente não explicam por que o sistema permitiu a falha.
Para investigar corretamente, reúna dados, entreviste as pessoas envolvidas, observe o processo e compare as condições reais com os requisitos estabelecidos.
As ferramentas abaixo podem ajudar.
4.1. Os 5 Porquês
A técnica consiste em perguntar sucessivamente por que o problema ocorreu, utilizando cada resposta como ponto de partida para a próxima pergunta.
Considere um exemplo hipotético de falha de soldagem em embalagens plásticas.
Problema: embalagens apresentaram solda insuficiente.
Por quê 1? Porque a condição de soldagem ficou abaixo do necessário para atender à especificação.
Por quê 2? Porque o parâmetro de processo utilizado estava fora da faixa validada para aquela condição de produção.
Por quê 3? Porque o ajuste realizado durante a troca de produto não foi confirmado antes da liberação da linha.
Por quê 4? Porque o procedimento de troca não estabelecia claramente o registro e a verificação independente desse parâmetro crítico.
Por quê 5? Porque o processo de desenvolvimento e revisão das instruções não havia incorporado um controle específico para essa situação.
Nesse cenário, uma causa potencialmente fundamental seria a deficiência no procedimento de troca e no mecanismo de liberação do processo.
Entretanto, essa conclusão só deve ser aceita após verificar os registros, observar a execução real e confirmar se a hipótese explica a ocorrência.
Os 5 Porquês não precisam terminar obrigatoriamente em cinco perguntas. O número é apenas uma referência. O importante é alcançar uma explicação verificável, sem transformar suposições em fatos.
4.2. Diagrama de Ishikawa
O diagrama de Ishikawa, também conhecido como diagrama de causa e efeito ou espinha de peixe, organiza possíveis causas por categorias.
Em processos industriais, uma estrutura frequentemente utilizada é a dos 6 Ms:
- Método: procedimentos, instruções e padrões de trabalho.
- Máquina: equipamentos, regulagens, desgaste e manutenção.
- Mão de obra: capacitação, comunicação e execução das atividades.
- Material: matéria-prima, componentes e variações de fornecedores.
- Medição: instrumentos, métodos de inspeção e confiabilidade dos dados.
- Meio ambiente: temperatura, umidade, iluminação e outras condições ambientais relevantes.
A equipe deve levantar hipóteses e depois verificar quais possuem evidências.
Por exemplo, diante de variações na espessura de um filme plástico, podem ser investigados a regulagem da extrusora, a estabilidade do processo, as características da matéria-prima, o método de medição e as condições operacionais.
O diagrama organiza a investigação, mas não comprova sozinho a causa raiz.
4.3. Pareto e análise de dados
Quando existem várias ocorrências, o gráfico de Pareto ajuda a identificar quais tipos de falha representam a maior parcela das ocorrências ou dos impactos.
Imagine que uma fábrica registre, em determinado período:
| Tipo de ocorrência | Quantidade |
|---|---|
| Variação de espessura | 42 |
| Falha de soldagem | 28 |
| Problema de impressão | 18 |
| Erro de identificação | 12 |
Nesse exemplo, a variação de espessura representa 42% das 100 ocorrências registradas.
Esse resultado indica que vale a pena investigar esse grupo de falhas com atenção, mas não significa automaticamente que ele seja o problema mais grave. Uma ocorrência menos frequente pode ter consequências muito maiores.
Por isso, além da frequência, considere o custo, a gravidade e o risco.
Outras ferramentas também podem ser úteis, como histogramas, gráficos de tendência, cartas de controle, diagramas de dispersão e análise de estratificação por máquina, turno, operador, produto ou fornecedor.
A escolha depende do tipo de dado e da pergunta que a investigação precisa responder.
Passo 5 — Definir e implementar a ação corretiva
Depois de identificar e validar a causa, a equipe deve definir ações capazes de eliminá-la ou controlá-la de maneira eficaz.
A ação precisa ter relação direta com a causa encontrada.
Considere o exemplo anterior: se a investigação comprovar que a falha decorreu da ausência de uma verificação obrigatória na troca de produto, apenas orientar o operador a “ter mais atenção” pode não ser suficiente.
Medidas mais consistentes podem incluir:
- Revisar o procedimento de troca.
- Definir parâmetros de processo e critérios de aceitação.
- Implantar uma lista de verificação obrigatória.
- Exigir o registro dos parâmetros críticos.
- Estabelecer uma etapa formal de liberação da linha.
- Capacitar os envolvidos na nova sistemática.
- Verificar se o novo procedimento está sendo aplicado.
- Avaliar a necessidade de controles adicionais.
A capacitação pode fazer parte da solução, mas deve ser vinculada à causa identificada. Treinar novamente uma equipe não resolve, por si só, uma falha de projeto, uma especificação inadequada ou a ausência de um mecanismo de controle necessário.
Da mesma forma, se a causa comprovada for um instrumento de medição inadequado, a ação deverá tratar a confiabilidade do sistema de medição, e não apenas reforçar a inspeção final.
Como organizar as ações com o 5W2H
O 5W2H transforma a decisão em um plano executável.
| Pergunta | Aplicação |
|---|---|
| What — O quê? | O que será realizado? |
| Why — Por quê? | Qual causa ou risco a ação pretende tratar? |
| Where — Onde? | Em qual processo ou setor? |
| When — Quando? | Qual é o prazo? |
| Who — Quem? | Quem será responsável? |
| How — Como? | Como a ação será executada? |
| How much — Quanto custa? | Qual é o custo ou recurso necessário? |
Exemplo de plano de ação:
| Ação | Responsável | Prazo | Evidência esperada |
|---|---|---|---|
| Revisar a instrução de troca de produto | Engenharia de Processos | 5 dias | Documento aprovado |
| Implantar checklist de parâmetros críticos | Produção e Qualidade | 10 dias | Checklist preenchido |
| Capacitar os operadores envolvidos | Liderança da Produção | 12 dias | Registros de treinamento |
| Verificar a aplicação do novo procedimento | Qualidade | 20 dias | Registros de verificação |
Os prazos são ilustrativos e devem ser ajustados à realidade da organização.
Uma ação só deve ser considerada implementada quando houver evidência de sua execução. Abrir uma solicitação de mudança, enviar um e-mail ou agendar um treinamento não significa que a ação foi concluída.
Passo 6 — Verificar a eficácia da ação corretiva
A conclusão das tarefas não demonstra, por si só, que o problema foi eliminado.
A verificação da eficácia deve avaliar se as ações produziram o resultado esperado e se a não conformidade deixou de ocorrer nas condições avaliadas.
Antes de implementar a ação, sempre que possível, estabeleça critérios de eficácia.
Esses critérios podem incluir:
- Ausência de recorrência durante um período definido.
- Redução de defeitos abaixo de uma meta estabelecida.
- Estabilidade dos parâmetros de processo.
- Atendimento consistente às especificações.
- Conformidade observada em auditorias de acompanhamento.
- Redução de reclamações relacionadas à causa investigada.
- Cumprimento comprovado de um procedimento revisado.
Imagine que uma empresa implemente um novo controle para evitar falhas de soldagem.
Não basta verificar se o formulário foi preenchido. É necessário avaliar se o controle está sendo executado, se os parâmetros permanecem adequados e se o defeito deixou de ocorrer em condições representativas da operação.
A verificação deve considerar um período ou uma quantidade de ciclos, lotes ou operações compatível com o risco e a frequência esperada da falha.
Se o problema for raro, uma semana sem ocorrência talvez não seja evidência suficiente. Em outros casos, um teste controlado e tecnicamente válido poderá fornecer evidência importante em prazo menor.
Se a ação não apresentar o resultado esperado, a investigação deve ser reaberta ou aprofundada. Pode ser necessário rever a causa identificada, a abrangência da ação ou os critérios de controle.
A eficácia precisa ser demonstrada por evidências, não apenas pela percepção de que o processo melhorou.
Passo 7 — Atualizar documentos e compartilhar o aprendizado
Uma não conformidade pode revelar uma fragilidade que ultrapassa a ocorrência original.
Por isso, depois de implementar as ações, avalie se é necessário atualizar:
- Procedimentos e instruções de trabalho.
- Planos de controle e inspeção.
- Análises de risco do processo.
- Planos de manutenção.
- Programas de treinamento.
- Critérios de qualificação de fornecedores.
- Documentos de engenharia.
- Indicadores de desempenho.
- Controles de rastreabilidade.
Também é importante avaliar se a mesma causa pode existir em outras linhas, máquinas, turnos, produtos ou unidades.
Por exemplo, se a investigação identificar uma deficiência em um procedimento utilizado por três linhas de produção, corrigir apenas a linha onde o problema foi detectado pode deixar a organização exposta à mesma falha em outros locais.
A análise de abrangência deve ser proporcional ao risco e sustentada por evidências.
Compartilhar o aprendizado com outras equipes ajuda a transformar uma ocorrência isolada em uma oportunidade de prevenção sistêmica.
Passo 8 — Encerrar formalmente a não conformidade
O encerramento deve ocorrer quando os critérios definidos para o tratamento forem atendidos.
Antes de encerrar o registro, verifique se:
- A não conformidade está descrita claramente.
- O requisito e as evidências foram identificados.
- A contenção e a disposição dos materiais foram registradas, quando aplicáveis.
- A extensão do problema foi avaliada.
- A causa foi investigada e sustentada por evidências.
- As ações planejadas foram implementadas.
- A eficácia foi verificada conforme os critérios estabelecidos.
- Os documentos necessários foram atualizados.
- As partes envolvidas foram comunicadas, quando aplicável.
- As evidências de conclusão estão disponíveis.
Se a ação foi executada, mas a eficácia ainda não foi demonstrada, o registro não deve ser encerrado como se o problema estivesse definitivamente resolvido.
A organização pode distinguir administrativamente entre ação implementada e eficácia confirmada, mantendo o acompanhamento aberto até que existam evidências suficientes.
Esse cuidado evita que os indicadores de encerramento transmitam uma falsa impressão de melhoria.
5. Exemplo prático completo: não conformidade em uma indústria de embalagens plásticas
Para compreender a aplicação do método, considere o seguinte cenário hipotético.
Uma indústria de embalagens flexíveis trabalha com um filme plástico cuja espessura nominal é de 45 micra. Durante uma inspeção em processo, o inspetor identifica resultados abaixo do limite de aceitação definido na especificação aplicável.
A equipe precisa determinar a abrangência da ocorrência, proteger o cliente e investigar a origem do problema.
Etapa A — Registro da ocorrência
O inspetor registra:
- Produto: filme plástico.
- Processo: extrusão.
- Requisito: especificação de espessura aprovada.
- Evidência: medições fora do limite de aceitação.
- Momento da identificação: durante a inspeção em processo.
- Rastreabilidade: lote, máquina, turno e intervalo de produção envolvidos.
O registro não atribui a causa ao operador nem à máquina antes da investigação.
Etapa B — Contenção
A equipe bloqueia os materiais potencialmente afetados, identifica os lotes envolvidos e avalia o produto em processo e o estoque disponível.
Se houver material expedido, a organização avalia o risco e toma as medidas de comunicação e resposta necessárias.
A equipe também verifica se o método de medição e o instrumento são adequados, evitando tomar decisões com base em resultados não confiáveis.
Etapa C — Investigação
A equipe analisa os registros de produção, as regulagens, os dados de medição, as condições da matéria-prima e o histórico de ocorrências.
Os dados mostram que a variação começou após uma mudança operacional. Essa relação é tratada como uma hipótese, não como uma conclusão automática.
A investigação verifica se houve alteração nos parâmetros, se o equipamento estava em condições adequadas e se os controles previstos foram executados.
A causa é considerada confirmada somente quando as evidências são suficientes para explicar a ocorrência.
Etapa D — Ação corretiva
Suponha que a investigação comprove que o processo de troca não exigia uma confirmação documentada dos parâmetros críticos antes da liberação da produção.
A organização revisa o procedimento, define a verificação necessária, capacita os envolvidos e estabelece registros para demonstrar que o processo foi liberado conforme os critérios aprovados.
A ação não se limita a solicitar mais atenção ao operador: ela fortalece o método de trabalho e o controle do processo.
Etapa E — Verificação da eficácia
A Qualidade acompanha as produções posteriores, verifica os registros e avalia os resultados de espessura durante um período definido conforme o risco e a frequência do processo.
Se os resultados permanecerem conformes e os novos controles funcionarem como previsto, a equipe terá evidências favoráveis à eficácia.
Caso a variação volte a ocorrer, será necessário reavaliar a investigação e verificar se outras causas estão presentes.
Resultado esperado
O objetivo não é simplesmente separar o lote que apresentou o problema.
É restabelecer a conformidade do produto, proteger o cliente, controlar os riscos e tornar o processo menos vulnerável à repetição da falha.
Esse é o princípio que diferencia uma gestão da qualidade reativa de uma gestão orientada à prevenção e à melhoria contínua.
6. Como elaborar um Relatório de Não Conformidade (RNC)
O Relatório de Não Conformidade, conhecido como RNC, é um instrumento utilizado para registrar a ocorrência, organizar as informações da investigação e acompanhar as ações necessárias.
O formato varia conforme o sistema de gestão da empresa. Entretanto, um RNC bem estruturado normalmente contempla os seguintes campos:
| Campo | Finalidade |
|---|---|
| Número do RNC | Garantir identificação e rastreabilidade. |
| Data da ocorrência | Registrar quando o problema aconteceu ou foi identificado. |
| Origem | Identificar se veio de auditoria, inspeção, reclamação ou outra fonte. |
| Descrição | Apresentar a condição encontrada de maneira objetiva. |
| Requisito não atendido | Identificar a especificação, norma, procedimento ou outro requisito aplicável. |
| Evidências | Registrar medições, fotografias, documentos e outros dados relevantes. |
| Contenção | Documentar as medidas imediatas adotadas. |
| Avaliação de abrangência | Determinar quais produtos, processos ou períodos podem estar envolvidos. |
| Análise de causa | Registrar o método utilizado, as hipóteses e as conclusões sustentadas por evidências. |
| Plano de ação | Definir ações, responsáveis, prazos e recursos. |
| Evidências de implementação | Demonstrar que as ações foram executadas. |
| Verificação de eficácia | Registrar os critérios, os resultados e a conclusão. |
| Encerramento | Formalizar a conclusão e as aprovações necessárias. |
O RNC não deve ser tratado apenas como um formulário a ser preenchido para cumprir uma exigência interna.
Sua função é garantir que a informação não se perca entre a identificação do problema, a tomada de decisão e a confirmação de que as medidas adotadas funcionaram.
Um bom registro permite que outra pessoa compreenda o que ocorreu, quais decisões foram tomadas e por que a organização concluiu que o problema foi tratado adequadamente.
7. Quais são os principais erros no tratamento de não conformidades?
Mesmo empresas com procedimentos estruturados podem enfrentar dificuldades durante a investigação e a implementação das ações corretivas.
Os erros mais comuns incluem:
7.1. Corrigir o efeito e ignorar a causa
Segregar, retrabalhar ou descartar o produto pode ser necessário, mas essas medidas não eliminam automaticamente a origem do problema.
A equipe precisa avaliar se existe uma causa que possa ser eliminada ou controlada para evitar recorrência.
7.2. Culpar o operador antes de investigar
A falha humana pode fazer parte da análise, mas atribuir a ocorrência à falta de atenção sem verificar as condições de trabalho é uma conclusão frágil.
É necessário investigar treinamento, clareza dos procedimentos, carga de trabalho, condições do equipamento, disponibilidade de recursos, controles existentes e outros fatores pertinentes.
O objetivo é compreender o sistema e identificar as medidas adequadas.
7.3. Definir uma causa sem evidências
Uma hipótese pode parecer lógica e ainda assim estar incorreta.
A análise deve considerar registros, medições, observações e testes apropriados. Quando a evidência for insuficiente, a causa deve permanecer em investigação, em vez de ser apresentada como fato comprovado.
7.4. Escolher ações genéricas
Expressões como “orientar a equipe”, “ter mais cuidado” ou “melhorar a comunicação” não constituem, por si só, planos de ação suficientemente claros.
Uma ação eficaz precisa especificar o que será feito, quem será responsável, qual é o prazo e como o resultado será verificado.
7.5. Encerrar sem verificar a eficácia
Uma ação pode ser executada corretamente e não produzir o efeito esperado.
A empresa precisa avaliar os resultados e verificar se a causa foi tratada de maneira suficiente.
7.6. Ignorar a possibilidade de recorrência em outros processos
Uma não conformidade pode revelar uma fragilidade presente em diversas linhas, máquinas ou unidades.
A avaliação de abrangência ajuda a evitar que a empresa resolva a ocorrência em um ponto e mantenha o mesmo risco em outros.
7.7. Transformar o RNC em uma ferramenta de punição
Quando os profissionais têm receio de registrar falhas, a organização pode perder informações importantes para a prevenção.
Uma cultura de qualidade madura incentiva a comunicação de problemas, exige responsabilidade na execução dos processos e utiliza as evidências para tomar decisões justas.
Isso não significa eliminar a responsabilização por condutas deliberadamente inadequadas. Significa não confundir automaticamente a ocorrência de uma falha com a intenção de descumprir um requisito.
8. Como medir a eficácia do processo de tratamento de não conformidades?
Além de acompanhar cada RNC, a empresa pode utilizar indicadores para avaliar o desempenho global do sistema.
Os indicadores devem ter definições consistentes, fontes de dados confiáveis e uma finalidade clara.
Indicadores recomendados
1. Taxa de recorrência
Mede a proporção de não conformidades relacionadas a problemas que voltaram a ocorrer, conforme critérios de classificação definidos.
Uma fórmula possível é:
Taxa de recorrência (%) = (não conformidades recorrentes ÷ total de não conformidades no período) × 100.
É importante definir o que caracteriza uma recorrência, considerando a mesma causa, o mesmo modo de falha ou outra regra tecnicamente adequada.
2. Prazo médio de tratamento
Mede o tempo entre a abertura e o encerramento dos registros.
Prazo médio = soma dos tempos de tratamento ÷ quantidade de registros encerrados.
O indicador deve ser interpretado com cuidado. Encerrar rapidamente não significa necessariamente tratar bem o problema.
3. Cumprimento dos prazos das ações
Mede a proporção de ações concluídas até a data acordada.
Cumprimento dos prazos (%) = (ações concluídas no prazo ÷ ações previstas para conclusão no período) × 100.
4. Eficácia das ações corretivas
Mede a proporção de ações avaliadas que atenderam aos critérios de eficácia definidos.
Eficácia (%) = (ações eficazes ÷ ações avaliadas quanto à eficácia) × 100.
O período, a unidade de análise e os critérios de classificação precisam ser consistentes para que o indicador seja comparável ao longo do tempo.
5. Custo da não qualidade
Pode incluir sucata, retrabalho, reinspeção, devoluções, garantias, reclamações e outras perdas relacionadas à falta de conformidade.
Esse indicador ajuda a demonstrar o impacto econômico das falhas e a justificar investimentos em prevenção.
Como utilizar os indicadores
Os indicadores devem apoiar decisões, e não apenas preencher apresentações gerenciais.
Se a recorrência estiver aumentando, investigue se as causas estão sendo corretamente identificadas, se as ações escolhidas são adequadas e se a verificação de eficácia é suficientemente rigorosa.
Se o prazo médio estiver elevado, avalie os gargalos do processo, a disponibilidade de recursos e a complexidade das investigações.
Se muitas ações estiverem vencidas, verifique a distribuição de responsabilidades, a priorização por risco e a qualidade dos planos de ação.
Uma boa gestão não busca simplesmente reduzir a quantidade de RNCs registrados. Busca aumentar a capacidade de detectar problemas, controlar riscos e prevenir falhas.
9. Qual é o papel do inspetor da Qualidade no tratamento de não conformidades?
O inspetor da Qualidade exerce uma função importante na identificação e no controle das não conformidades, especialmente nos processos industriais.
Sua atuação pode envolver:
- Identificar condições fora dos critérios de aceitação.
- Executar inspeções conforme os métodos estabelecidos.
- Registrar resultados de forma confiável.
- Identificar e segregar materiais não conformes, conforme sua autoridade.
- Comunicar a ocorrência à liderança e à Qualidade.
- Preservar a rastreabilidade dos produtos envolvidos.
- Apoiar a coleta de evidências para a investigação.
- Verificar o cumprimento dos critérios de inspeção.
- Acompanhar a aplicação dos controles definidos.
- Informar desvios observados durante o acompanhamento.
É importante distinguir a responsabilidade de identificar e registrar uma ocorrência da responsabilidade de aprovar uma disposição de produto, alterar parâmetros de processo ou autorizar o encerramento de uma ação corretiva.
Essas atribuições devem estar definidas nos procedimentos, nas responsabilidades organizacionais e nas competências autorizadas.
O inspetor não precisa conhecer antecipadamente a causa de toda falha. Precisa reconhecer a condição, registrar evidências confiáveis e encaminhar a ocorrência para o tratamento adequado.
Uma inspeção bem executada pode impedir que um problema avance. Uma investigação bem conduzida pode impedir que ele volte a acontecer.
As duas atividades são complementares.
10. Como transformar o tratamento de não conformidades em melhoria contínua?
O tratamento de não conformidades deve estar integrado à rotina de gestão, e não funcionar como uma atividade isolada do departamento da Qualidade.
A melhoria contínua acontece quando a organização utiliza as informações das ocorrências para aprimorar seus processos, seus controles e sua capacidade de prevenir problemas.
Algumas práticas ajudam a fortalecer esse sistema:
Reuniões periódicas de análise: avalie as ocorrências mais relevantes, os riscos, as ações pendentes e os problemas recorrentes.
Integração com o Gemba Walk: observe as condições reais do processo, converse com os profissionais envolvidos e compare a prática com os padrões estabelecidos.
Integração com a gestão visual e o FMDS: acompanhe indicadores, desvios, responsáveis e prazos em rotinas de gestão adequadas ao contexto da empresa.
Integração com a análise de riscos: utilize as lições aprendidas para avaliar se os riscos dos processos precisam ser revistos.
Participação multidisciplinar: envolva Produção, Qualidade, Engenharia, Manutenção, Logística, Compras e outras áreas quando suas contribuições forem relevantes.
Padronização das melhorias: depois de confirmar que uma solução funciona, incorpore-a aos procedimentos e controles necessários.
Acompanhamento gerencial: garanta recursos, remova obstáculos e priorize as ocorrências de maior impacto.
Uma organização que aprende com as próprias falhas não depende apenas da experiência individual de seus profissionais. Ela transforma o conhecimento adquirido em métodos de trabalho, controles e práticas que podem ser reproduzidos.
Esse é um dos principais benefícios de um sistema de gestão da qualidade bem estruturado.
11. Checklist prático para tratar uma não conformidade
Utilize a lista a seguir como apoio para verificar se as principais etapas foram consideradas.
- A não conformidade foi descrita de maneira objetiva?
- O requisito não atendido foi identificado?
- Existem evidências confiáveis da ocorrência?
- Os produtos ou processos potencialmente afetados foram identificados?
- A contenção foi executada conforme o risco?
- As consequências e a abrangência foram avaliadas?
- A causa foi investigada com base em evidências?
- A necessidade de ações corretivas foi avaliada?
- As ações foram relacionadas às causas identificadas?
- Foram definidos responsáveis, prazos e recursos?
- A implementação das ações foi comprovada?
- Foram definidos critérios para verificar a eficácia?
- A eficácia foi avaliada e registrada?
- Foi verificada a necessidade de atualizar documentos e controles?
- A possibilidade de problemas semelhantes em outros processos foi considerada?
- O encerramento foi autorizado conforme as regras estabelecidas?
Esse checklist pode ser adaptado ao procedimento interno da empresa. Ele não substitui os requisitos específicos do sistema de gestão, os procedimentos aplicáveis ou as avaliações técnicas necessárias.
12. Perguntas frequentes sobre o tratamento de não conformidades
O que fazer primeiro ao identificar uma não conformidade?
Registre a condição encontrada, identifique o requisito não atendido e avalie a necessidade de contenção imediata. A prioridade é controlar os efeitos e reunir informações confiáveis para determinar a abrangência da ocorrência.
Toda não conformidade exige uma ação corretiva?
Nem toda ocorrência exige necessariamente uma ação corretiva formal. A organização deve avaliar a necessidade de eliminar as causas considerando a natureza da não conformidade, seus efeitos, os riscos e a possibilidade de recorrência. Essa decisão precisa ser coerente com os requisitos aplicáveis e com o sistema de gestão.
Qual é a diferença entre ação corretiva e ação preventiva?
A ação corretiva trata a causa de uma não conformidade ocorrida. Já a prevenção de problemas potenciais envolve identificar e tratar riscos antes que a falha aconteça.
Na estrutura da ISO 9001:2015, o pensamento baseado em risco e os controles de planejamento e operação têm papel importante na prevenção, enquanto o requisito 10.2 trata especificamente de não conformidades e ações corretivas.
Quem é responsável por tratar uma não conformidade?
A responsabilidade é definida pela organização de acordo com o processo e a gravidade da ocorrência. O profissional que identifica o problema pode registrar e conter a situação conforme sua autoridade, enquanto a investigação e a implementação das ações podem envolver várias áreas.
A Gestão da Qualidade costuma coordenar o processo, mas a solução depende da participação dos responsáveis pelo processo afetado.
Qual ferramenta é melhor para encontrar a causa raiz?
Não existe uma ferramenta universalmente melhor. Os 5 Porquês são úteis para investigações mais simples; o Ishikawa ajuda a organizar hipóteses; o Pareto prioriza tipos de ocorrência; e a análise estatística pode revelar padrões em dados de processo. A ferramenta deve ser escolhida conforme a complexidade do problema e a qualidade das evidências disponíveis.
Como saber se uma ação corretiva foi eficaz?
Defina critérios antes da avaliação e verifique os resultados com dados e evidências adequados. A eficácia pode ser demonstrada pela ausência de recorrência durante um período representativo, pela estabilização do processo ou pelo atendimento consistente aos critérios estabelecidos.
O que fazer quando a não conformidade volta a acontecer?
Reabra ou aprofunde a investigação, conforme o procedimento da organização. Verifique se a causa foi identificada corretamente, se a ação foi implementada como planejado, se o controle funciona na prática e se existem outras causas ou condições que não foram consideradas.
O RNC é obrigatório em todas as empresas?
O formato de um Relatório de Não Conformidade não é universalmente obrigatório. Entretanto, organizações que precisam atender à ISO 9001 devem cumprir os requisitos aplicáveis de controle e informação documentada. O RNC é um recurso comum para organizar essas evidências, mas pode existir outro método documentado que atenda às necessidades do sistema.
Conclusão
Uma não conformidade bem tratada se transforma em aprendizado
Tratar uma não conformidade exige disciplina, método e compromisso com os resultados.
O processo começa com a identificação de uma condição que não atende a um requisito, mas não termina com a correção do produto ou com o preenchimento de um relatório.
É necessário controlar os efeitos, avaliar a abrangência, investigar as causas, implementar ações adequadas e verificar se elas produziram o resultado esperado.
A qualidade de um sistema de gestão não é demonstrada pela ausência de problemas registrados, mas pela capacidade de identificar falhas, responder aos riscos, aprender com as ocorrências e melhorar continuamente.
Para o profissional da Qualidade, essa é uma competência essencial: transformar evidências em decisões, decisões em ações e ações em resultados verificáveis.
A verdadeira eficácia de uma ação corretiva não está no formulário encerrado, mas na capacidade de evitar que a mesma falha volte a comprometer o processo, o cliente ou a organização.
Esse é o caminho para uma Gestão da Qualidade mais consistente, preventiva e orientada à melhoria contínua.
Referências técnicas para aprofundamento
- ABNT NBR ISO 9001:2015 — Sistemas de gestão da qualidade — Requisitos. Consultar especialmente o requisito 10.2, relativo a não conformidade e ação corretiva.
- ABNT NBR ISO 9000 — Sistemas de gestão da qualidade — Fundamentos e vocabulário. Referência para os conceitos e a terminologia da gestão da qualidade.
- MASP — Método de Análise e Solução de Problemas. Abordagem estruturada para identificar problemas, investigar causas, implementar soluções e padronizar melhorias.
- Ferramentas da qualidade: 5 Porquês, diagrama de Ishikawa, Pareto, 5W2H, histogramas e análise de dados de processo.
Consulte as edições vigentes e as publicações oficiais aplicáveis ao seu sistema de gestão antes de utilizar este conteúdo como referência normativa.
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